domingo, 1 de março de 2009

Um conto de Primavera


" Ela era uma simples garota. Com jeito simples, vontades simples,sonhos simples. Sonhos de uma garota comum. Vivia com seus pais e seus irmãos. Tinha uma vida normal. Uma vida feliz – para uma simples garota.

Mas ela achava que lhe faltava um pedaço. Não sabia que parte incompleta era essa. Mas sabia que ela existia. Como fazer para preencher este pequeno vazio? Mas como ela não sabia o que faltava... Deixava pra lá. E esquecia o seu buraquinho interior.

Tocava piano divinamente. Tocar lhe fazia tão feliz. A não ser pelo buraquinho que resolvia cutucá-la nos seus momentos de alegria. Então quando isso acontecia, ia para o piano e tocava. Tocava, tocava. A musica a fazia se sentir melhor.

Aos domingos, saia com sua mãe. Andavam juntas pela praça e pelo jardim. E também compravam flores para enfeitar a casa. Ela adorava olhar as flores. Suas cores a fascinava. Se pudesse ela ficaria horas ali, só admirando aquele jardim.
Foi o que fez naquele dia. Sua mãe estava com um pouco de pressa, comprou as flores de sempre – tulipas, rosas e lavandas -, despediu-se, e então voltou para casa. A garota não se incomodou muito... Afinal, as flores continuavam ali.
Sentou-se à frente do lago. Ficou por horas ali. Ouvindo o canto dos pássaros, vendo o vôo das borboletas e admirando as flores. O pequeno vazio dentro de si a encomodava, mas não era insuportável.

Ela se distraiu com a bela imagem a sua frente... Para completar só faltava o som de um piano ao fundo! Tudo estava em sincronia! Em perfeita harmonia...!

Então percebeu que estava ficando tarde. Levantou-se e se despediu das flores. Olhou à sua volta como sempre fazia. Mas desta vez algo diferente lhe chamou a atenção. Alguém lhe chamou a atenção!

Fixou seus olhos nos olhos do rapaz que estava um pouco a sua frente, e que também a fitava de longe. Ela olhou dentro daqueles olhos com profunda admiração. Eram verdes. De um verde tão vivo! Era como se ele fizesse parte daquele lugar. Ele se encaixava perfeitamente.

O sino da igreja tocou. Já eram seis horas! O sol começava a se pôr. Ela, então, olhou no fundo daqueles olhos mais uma vez, como se despedindo. Virou-se e seguiu para sua casa.

Suspirou uma vez.
Sorriu.

E pela primeira vez... se sentiu...

...completa."

Um comentário:

  1. É, esses buraquinhos machucam, né?! Esse foi o melhor, eu ameeey.
    Um dia todas nós nos sentiremos completas? ou, ja somos?

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