terça-feira, 3 de março de 2009

Perdida...


"Olho pela janela. As pessoas parecem tão bem! E eu...
O canto dos pássaros, as risadas das crianças, tudo parece tão... natural! E eu... não consigo sorrir.
Tudo parece normal. Mas não eu. Como posso agüentar? É! Eu não posso!
Tudo se encaixa, as flores em harmonia com os pássaros, as arvores e suas folhas em harmonia com o vento. E eu... pareço tão estranha no meio disso tudo! Talvez eu não pertença a este lugar. Talvez um lugar distante, mais isolado... com poucas pessoas, poucas flores... pouco tudo...
Não! Talvez eu não pertença a lugar nenhum..."

segunda-feira, 2 de março de 2009

Brisa de Outono


"Todas as noites era a mesma coisa. Ela sentava em sua cama e começava a chorar. Lágrimas de uma tristeza profunda, de uma solidão imensa, de uma dor insuportável.

Olhava pela janela, com os olhos molhados. O vento acariciava sua face... mas ela não percebia. Só sentia o silencio interminável.

Ela sentia saudades. Saudades do tempo em que poderia ter vivido, mas não teve coragem para isso. Sentia falta de um sentimento que nem ao menos sabia como era. Mas queria saber. Queria viver.

Sentia vontade de gritar. Mas as lágrimas eram mais fortes do que ela. Como fazer esta dor ir embora? Como fazer para esquecer todo aquele sofrimento?

Mas ela continuava a esperar...

Quem sabe... em uma noite como aquela, o amor não entrasse pela janela, como uma brisa de outono..."

domingo, 1 de março de 2009

...


"Perto de você não sou nada!
Perto de seus olhos, belos como o pôr do sol, apaixonante como a primeira flor da primavera, brilhante como a luz de uma lua cheia, sou apenas uma folha seca de outono!
Perto de seus lábios, doces como o mais puro mel, perfeitos como os desenhos da asa de uma borboleta, sou apenas um espinho!
Perto de sua voz, aveludada como as asas de um anjo, suave como o orvalho das manhãs, sutil como a brisa do mar, sou apenas uma vespa!
Perto de sua face, pura como a neve, preciosa como diamante, delicada como as pétalas de uma rosa, sou apenas poeira!
Perto de você, sou apenas ... humana."

Um conto de Primavera


" Ela era uma simples garota. Com jeito simples, vontades simples,sonhos simples. Sonhos de uma garota comum. Vivia com seus pais e seus irmãos. Tinha uma vida normal. Uma vida feliz – para uma simples garota.

Mas ela achava que lhe faltava um pedaço. Não sabia que parte incompleta era essa. Mas sabia que ela existia. Como fazer para preencher este pequeno vazio? Mas como ela não sabia o que faltava... Deixava pra lá. E esquecia o seu buraquinho interior.

Tocava piano divinamente. Tocar lhe fazia tão feliz. A não ser pelo buraquinho que resolvia cutucá-la nos seus momentos de alegria. Então quando isso acontecia, ia para o piano e tocava. Tocava, tocava. A musica a fazia se sentir melhor.

Aos domingos, saia com sua mãe. Andavam juntas pela praça e pelo jardim. E também compravam flores para enfeitar a casa. Ela adorava olhar as flores. Suas cores a fascinava. Se pudesse ela ficaria horas ali, só admirando aquele jardim.
Foi o que fez naquele dia. Sua mãe estava com um pouco de pressa, comprou as flores de sempre – tulipas, rosas e lavandas -, despediu-se, e então voltou para casa. A garota não se incomodou muito... Afinal, as flores continuavam ali.
Sentou-se à frente do lago. Ficou por horas ali. Ouvindo o canto dos pássaros, vendo o vôo das borboletas e admirando as flores. O pequeno vazio dentro de si a encomodava, mas não era insuportável.

Ela se distraiu com a bela imagem a sua frente... Para completar só faltava o som de um piano ao fundo! Tudo estava em sincronia! Em perfeita harmonia...!

Então percebeu que estava ficando tarde. Levantou-se e se despediu das flores. Olhou à sua volta como sempre fazia. Mas desta vez algo diferente lhe chamou a atenção. Alguém lhe chamou a atenção!

Fixou seus olhos nos olhos do rapaz que estava um pouco a sua frente, e que também a fitava de longe. Ela olhou dentro daqueles olhos com profunda admiração. Eram verdes. De um verde tão vivo! Era como se ele fizesse parte daquele lugar. Ele se encaixava perfeitamente.

O sino da igreja tocou. Já eram seis horas! O sol começava a se pôr. Ela, então, olhou no fundo daqueles olhos mais uma vez, como se despedindo. Virou-se e seguiu para sua casa.

Suspirou uma vez.
Sorriu.

E pela primeira vez... se sentiu...

...completa."